domingo, 11 de setembro de 2011

10 anos depois - 10 years later


Todos se lembram onde estavam há dez anos atrás naquela manhã de terça-feira. Impossível de se esquecer.

Eu estava na escola. Tive aula de matemática naquele dia. Inequações. Um assunto um tanto profético, já que desde aquele momento, o mundo se tornou ainda mais desequilibrado.




Ao sair da escola e ir para casa, me lembro de as ruas estarem um tanto vazias. No alto de minha ingenuidade de pré-adolescente de 12 anos, não vi nada de anormal nisso. Quanto cheguei em casa, meu pai me esperava. Até hoje não esqueço a conversa:

"João Víctor, sabe aqules prédios em Nova Iorque, aquelas torres gêmeas?"
"Sei."
"Elas caíram."
"Hã?" eu exclamei perplexo.
Baixa Manhattan, agosto de 2001 - Lower Manhattan, August 2001
"É, dois aviões bateram e elas caíram."

Como podem ver da conversa acima, só soube do fato depois de queda de ambas as torres. Foi tudo muito assustador. Demorei anos para me acostumar com a vista de Nova York sem as torres. Mas isso tudo só não foi pior que a situação de medo constante que o Ocidente viveu na década seguinte.

Ignorância preconceituosa ("os muçulmanos são todos homens-bomba"), radicalismo ("se for necessário torturar, que assim seja"), intolerância ("não quero essa gente perto de mim!"), esse tipo lamentável de coisa. Os vários atentados em subseqüentes em Bali, Madri e Londres davam a impressão que qualquer um poderia ser alvo, e que qualquer um poderia ser um terrorista em potencial. Mesmo os mais inocentes. Tornamo-nos desconfiados, desesperados, dispostos a tudo em nome da nossa ilusão de segurança. Uma mudança para pior.

Dez anos depois, nossa sociedade ainda luta pra fechar as feridas. É algo coletivo que nos faz pensar. Escrever esse texto por si só já me dá uma certa dor no coração. Uma mistura de lamento pelos inocentes que morrearam, saudade da época em que não havia tanta paranoia.

Mas, não posso me permitir  perder a esperança. Esperança de um futuro em que a paz não será apenas um ideal, mas uma realidade.


No one forgets  where they were ten years ago, on that sunny Tuesday morning. I do.

I was at school, having Math classes. I even remember the very specific subject I studied: inequations. Quite appropriate, since the world became even more unbalanced that day.

When I went back home that day, I noticed the streets were somewhat calm, with little traffic. Being a 12-year-old preteen, I couldn't care less. That was until I finally came home; my dad was waiting for me.

DAD: Hey, João Víctor, do you know those buildings in NY, the twin towers?
ME: Yes, I do.
DAD: They've just collapsed.
ME: What?!?!?!??!?! - I answered in shock.
DAD: Yeah, two plane hit them and they collapsed.

As you can see from the above conversation reproduced here, I discovered the facts hours later everything happened. It was all that scary. It took me years to get used to NYC's skyline without the silhouette of the twin blocky buildings. But that was not worse than the constat feeling of fear that spread all over The West during the next decade.

Plain bigotry ("all Muslims are  terrorists"), radicalism ("let there be  torture if necessary"), intolarance ("I don't want this kind of people close to me!"). The following attacks in Bali, Madrid and London gave the impression that anyone could be a potential victim, and that anyone could attack you. Even the innocent ones. In a nutshell, we lost our ability to trust. We became willing to accept anything to have any (apparent) safety. A change for worse.

Ten years later, we as a society are still trying to heal the wounds. It's something thought-provoking deep in our minds. For me, only writing this text make me feel kind of sad, in a way that's difficult to explain. I half mourn the ones who died, half miss the time when we weren't so afraid of our own shadows.

But for me, losing my hope is not an option. I am determined stay hopeful for the day when peace will be more that an idea, it will be a reality.

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