segunda-feira, 28 de novembro de 2011

É Fantástico!

Justiça seja feita, o Fantástico está entre os melhores programas da TV brasileira. Já foi melhor? Sem dúvida. Existe coisa pior? Óbvio. Temos alternativas na televisão aberta na noite de domingo? Dificilmente. A mistura de jornalismo investigativo com entretenimento nas mão de apresentadores carismáticos e comunicativos (destaques: Patrícia Poeta e Tadeu Schimdt, ainda que eu sinta falta da Glória Maria) dá certo. Os importantes furos de reportagem se intercalam com atrações de humor, criando um programa leve, divertido, sem ser bobo. Mas eles deram uma bola fora.

Trazer à TV Agamenon Mendes Pedreira.

O "colunista" do jornal O Globo foi ressucitado e adaptado à TV pelos Cassetas de forma triste, sem graça, sem criatividade. Basicamente, esse quadro é uma continuação do humor velho, quadrado e nada divertido do Casseta e Planeta Urgente, programa que fez os brasileiros pularem de alegria quando anunciou o seu próprio fim.

Agamenon no Fantástico é a versão jornalística do complexo de vira-lata. Fica tão fora de lugar quanto uma vaca no meio da rua. A turma do Casseta e Planeta simplesmente se esqueceu de como fazer rir, que o público agora ri de outra forma, com outras linguagens, ri de outras coisas, na verdade rinda das mesmas coisas só que de forma diferente. Congelaram-se no nitrogênio líquido e não saem do lugar, e pior, não percebem isso. De certa forma, reflete a própria grade de humor da Rede Globo, que continua na mesma de dramaturgia de comédia cheias de piadas físicas e pouco conteúdo.

O triste é que o Fantástico tem boas idéias. Uma delas ajudou milhares a mudar hábitos de vida, foi o Medida Certa, sucesso absoluto. Outra desse ano durou pouco: o Você é o Dono com só quatro programas, deixou um gostinho de quero mais num assunto que tem tanto a ver com a relidade de milhões de brasileiros. E o mais recente do Dráuzio Varela, o Brasil sem Cigarro, surpreendeu no último domingo com o sincero e emocionante depoimento de Malu Mader reconhecendo que o tabaco é uma droga tão viciante como qualquer outra.

Mas por favor, livrem-se do Agamenon. Deixem ele na mídia impressa. E para a Rede Globo: não tragam os Cassetas de volta, eles não conseguiram se reciclar.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A sorveteria suicida - The suicide ice cream shop

Essa noite, fui a uma sorveteria italiana que abriu aqui em São Gonçalo (Gelato Mix, no Rocha). Desde que abriu, há não muito tempo, essa sorveteria chamou minha atenção. Gosto de boa comida, e o sorvete é um dos meus favoritos. Pode ser um prato por si só, apenas com méritos próprios. Por isso, minhas expectativas estavam lá na estratosfera.

Os sorvetes que provei realmente eram deliciosos: extremamente gelados mas sem congelar, com a maravilhosa textura italiana e com bastante sabor, sem aquele gosto artificial das casquinhas do McDonald's. Mas, a experiência não foi apenas positiva.

A sorveteria é suicida porque parece não entender seus clientes. Estava lá, ao lado do caixa, uma cantora desafinada. Já não sou fã de música ao vivo em restaurantes e afins, nessa sorveteria então ficou totalmente fora de lugar. A roda de samba ruim no último volume atrapalhou o atendimento (eu não conseguia ouvir a atendente e nem ela conseguia me ouvir), e deixou o ambiente com ar de churrascaria rodízio mais-ou-menos. Uma decepção.

Resta agora visitar o lugar num horário menos movimentado, para degustar melhor os sorvetes: os de hoje, comprei e saí comendo pela rua, por que ficar lá, não dava.


This night, I visited for the first time an ice cream shop (Gelato Mix in Rocha neighborhood) that has just opened here in São Gonçalo. Since I love good food, and ice cream is one of my favorite desserts (in my humble opinion, it can be a meal by itself), I was eager to try it out. My expectations were quite high.

The shop's ice creams were surely awesome: great flavor, amazing texture (soft, not frozen), perfect temperature (a.k.a. very cold, close to zero absolute, yet not frozen). Much better than those bland fast food Twisties (yes, McDonald's, I'm talking to ya!). But the overall experience wasn't that good.

I when I say it is a suicide ice cream shop, I mean that they don't seem to understand their potential clients.  I'm talking about the live music that they set up. I'm talking about the racket made by the soundboxes. I'm talking about the singer and her freakish voice. The loud music made buying the ice cream a challenge (I couldn't hear the clerk and she couldn't hear me), and made the place look like a poor all-you-can eat diner. Regrettable.

Now, I hope for the day when Gelato Mix won't be crowded and I'll be able to fully appreciate their ice cream: this night, I just ate them while walking down the street.