sábado, 19 de novembro de 2011

Rio




O Brasil é colorido e musical. Pelo menos é assim que começa a mais recente animação  do Carlos Saldanha, um dos mentores da franquia A Era do Gelo, criador do esquilo mais neurótico da história do cinema, e diretor de Rio.

Saldanha trabalha com estereótipos mais conhecidos a respeito do Brasil, mais especificadamente, da Cidade Maravilhosa. Na história, Blu (Jesse Einsenberg) é capturado ainda filhote e levado à Moose Lake, uma cidade no interior dos Estados Unidos onde, segundo o filme, neva até no verão. Lá ele é adotado por Linda (Leslie Mann), uma simpática e inteligente bibliotecária. Quando Linda descobre que Blu é o última macho da espécie, é convencida a levá-lo ao Brasil para tentar acasalar com Jewel (Anne Hathaway), a última fêmea da espécie. E lógico, ela vem pra cá na semana do Carnaval.

Se o enredo do "casamento arranjado que dá certo" não é o mais original, Rio faz uma ode ao Brasil sem precedentes conhecidos. Muitos criticaram como o filme ainda fica preso ao trio futebol-carnaval-bunda, mas Rio faz isso com dignidade, sem o famoso complexo de vira-lata que muitos brasileiros ainda têm.

O visual é lindo. Rio é uma explosão de cores no limite da alucinção. A cidade foi reproduzida com exatidão, com a Vista Chinesa na Zona Sul, o Cristo Redentor está no Corcovado, não no Pão de Açúcar, e nós falamos português, não espanhol. A cena do desfile de escola de samba no Sambódromo é de encher os olhos de qualquer pessoa, mesmo daquelas que já conhecem o Carnaval brasileiro. Há muitas licenças poéticas (o bairro de Santa Teresa está vazio em pleno Carnaval), mas nada que atrapalhe, já que o filme não perde a honestidade (o crime e a pobreza não foram varridos pra debaixo do tapete; aliás, a cena na favela é uma das mais envolventes).

Essa crítica não ficaria completa sem comentar a música, talvez o ponto fraco de Rio. Sérgio Mendes e John Powell, responsáveis pela trilha sonora, tiveram dificuldades de trazer o pique e a energia do samba para as telas.

No fim fica claro: Rio é uma declaração de amor ao Brasil.

P.S.: Realmente existem micos andando livremente pela cidade. Eu já vi.


Brazil is a colorful and musical country. At least, thats how things work on the beginning of Carlos Saldanha's last film, from the creator of Scrat of Ice Age fame.

Saldanha uses the most known sterotypes about Brazil and Rio de Janeiro. Blu, a blue macaw voiced by Jesse Eisenberg is captured still young and smuggled to Moose Lake, Minnesota, a small town that seems to be snowy even during the summer. There, he is adopted by Linda (Leslie Mann), an intelligent and friendly librarian. When Linda finds out that Blu is the last male of his species, she takes him to Brazil to mate him with Jewel (Anne Hathaway), the last female of the species. Of course, it's Carnival when she arrives here.

If the known set-up-marriage-that-works plot is not the most original, Rio is an ode to Brazil that has no known precedents. Not few have criticized that the movie is still too close to the stereotypes containing soccer, samba and mulatas, but Rio uses these ideas to dignify, even glorify the country, throwing away our known mongrel complex.

Visually, Rio is as gorgeous as its real counterpart: a multitude of colors that borders on hallucinations. The Wonderful City was reproduced with accuracy: Chinese Belvedere in in the South Zone, Christ the Redeemer Statue is atop Corcovado, not Sugarloaf Mountain, and Cariocas speak Portuguese, not Spanish. There is some poetic license around (Santa Teresa neighborhood will never be that empty, especially during Carnival), but that's not really a problem since Rio is quite honest about Brazil: povertry and crime are not cowardly hidden, actually the scene taking place on the favela is one of the best in the movie.

This critique would not be complete if I didn't mentioned the soundtrack, probably Rio's weaker point. Sérgio Mendes and John Powell apparently could not reproduce samba's beat, that beat that makes your hips move uncontrollaby if you're not careful.

At the end, it is clear that Rio is a love declaration to Brazil.

P.S.: There really are marmoserts freely walking around Rio. I have already saw them.

2 comentários:

  1. Essa crítica tá atrasada pô! rsrs... Mas está ÓTIMA! Difícil quem tenha coragem de citar pontos ruins em filmes como esse. Gostei muito!

    João Víctor, kkkKKKkkkkk... PARECE O ALF MESMO!!! Nunca mais verei as antas da mesma maneira! XD

    Grande abraço!
    Laurence Esgalha

    ResponderExcluir
  2. Eu sei que a crítica tá atrasada, mas antes tarde do que nunca!!

    Abração!

    ResponderExcluir