segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

As Aventuras de Tintin - The Adventures of Tintin


Não conhecia bem o Tintin. Não sou familiarizado com a obra do Hergé. Sabia que era uma série de quadrinhos famosa, mas não muito mais que isso. Lembro-me vagamente de um livro didático de português que tinha uma das tirinhas como um dos textos. Fora isso, meu contato com Tintin e Milou era pífio. Mas isso não diminuiu meu interesse.

As Aventuras de Tintin é a primeira animação de Spielberg, diretor consagrado que que nos emocionou com ET, nos deixou morrendo de medo de ir à praia com Tubarão, nos divertiu com a trilogia (ops, agora uma tetralogia) Indiana Jones, e nos fez chorar com A Lista de Schindler. Lógico, os filmes mais recentes dele são tão sem emoção quanto os robês de AI - Inteligência Artificial; por isso também o interesse na sua interpretação do destemido adolescente jornalista belga. O resultado? Spielberg voltou à sua melhor forma como cineasta de entretenimento que não esquece de nos emocionar.

Visualmente, as aventuras de Tintin é espetacular. O 3D (mais sobre ele no final), as cores, planos-seqüência, tudo é de encher os olhos. A captura de movimento (a mesma tecnologia tão bem usada em Avatar) dá emoção genuína aos personagens (auxiliado pela interpretação, claro: Andy Serkis é experiente nessa forma de atuar e deu fôlego impressionante aos Haddocks). Só lamento ter assistido às versão dublada: não consigo aceitar a desculpa de que crianças não leem legendas: façam elas ler!! Cultura não faz mal pr a ninguém, muito menos para as crianças!! Ouçam isso, distribuidores de cinema do Brasil!

Aliás, não consigo interpretar As Aventuras de Tintin como filme infantil: há tiroteios, acidentes, consumo excessivo de álcool (ainda que eu nunca tenho visto o alcoolismo ser tratado de forma tão digna honesta no cinema, sem cair na simplicidade de julgar moralmente a pessoa que sofre com isso), batedores de carteira, até mesmo uma tentativa de assassinato.

As cenas de ação são de tirar o fôlego: desde Milou perseguindo um gato até o naufrágio do Licorne, tendo o clímax na M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A perseguição pelas ruas do Marrocos enquanto uma represa arrebenta, num plano-sequência vertiginoso que provavelmente é a melhor cena de ação que já vi em toda a minha vida.

Spielberg ficou interessado em trazer Tintin às telonas quando mostraram para ele que o personagem de Hergé lembra o Indiana Jones. Pois bem, As Aventuras de Tintin é uma espécia de Indiana Jones na animação desde o começo despretensioso até o final que dá deixa para sequência(s): Hergé publicou 24 - sim, 24 - livros com Tintin. Spielberg retorna ao entretenimento da melhor forma possível, fazendo um filme que diverte sem deixar de emocionar.

Sobre o 3D: esse foi o primeiro filme que vi em 3D, então, não sei bem se ainda sou apto para julgar. Mas gostei que nenhum objeto foi simplesmente jogado na minha cara (algo que o trailer de Madagascar 3 fez); o recurso foi usado primariamente para fortalecer a experiênica de contar a história, um recuso narrativo a mais, bem usado, sem exageros descabidos. Se já no meio do filme tive um pequeno cansaço nos músculos ao redos do globo ocular, não tive as enxaquecas e dores de cabeçãs sinistras que alguns relatam, e passei longe dos ataques epilépticos que os mais apocalípticos adoram propagar para assustar as criancinhas.

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